Lanzamento de 22 Romances Inconclusos


A colección o Lapis do Taberneiro vén de lanzar a pasada terza feira o seu último número, “22 Romances Inconclusos” de Quico Cadaval, que xa se pode adquirir no Café Bar Trece ao popularísimo prezo de tres euros. Facendo honra do seu lema “relatos de taberna para ler na taberna”, a colección culmina así o longo proceso que implicou este número, xa que o autor, Quico Cadaval optou por escribir a súa primeira incursión consistente no campo da escrita nunha única xornada, en performance retransmitida pola rede desde a popular taberna de Santa Clara, en Santiago. A canle Grenlandia Ceibe presentou durante o lanzamento unha pequena reportaxe sobre a devandita xornada, xa disponíbel en You Tube.
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O espectro da insubmissão fiscal

denplironoPublicado en FerramentaZine en Maio de 2012.- De entre as mais conhecidas fotografias do incêndio social ateniense, sobressai uma curiosa imagem: a de políticos de esquerda e sindicalistas dando palmadas nas costas dos activistas de Den Plirono (”Eu não pago”), movimento nascido contra o pagamento de portagens na auto-estrada de Afidnes, a norte de Atenas, decretado pelo governo para antecipar às construtoras o dinheiro de futuros empreendimentos. Os activistas rejeitam o abraço envenenado de quem consideram fazer parte do mesmo sistema impositor, que eles cifram como impostor, sem aceitar nuances semânticas. Alentado pela crise e a grave deterioração moral da sociedade grega, o movimento atingiu, desde 2009, proporções impensáveis, e, atrás da recusa a pagar as portagens, seguiram-se acções contra as taxas nos transportes públicos e na assistência sanitária, contra o IVA, ou contra o imposto sobre as propriedades imobiliárias colectado a través da factura eléctrica. Entretanto, líderes mediáticos da direita confrontam a mal sucedida fotografia dos seus parceiros na banda esquerda do arco parlamentar com uma defesa fechada do sistema tributário e a necessária sustentabilidade do estado, numa paradoxal troca de princípios entre neo-liberais e social-democratas, todos eles comprometidos no processo que levou à ruína da república. Seguir lendo

22 Romances Inconclusos (V)


Quico Cadaval escribe ao vivo 22 Romances Inconclusos para a colección O Lapis do Taberneiro, de Edicións do Trece, editorial promovida polo Café Bar Trece para a difusión e goce da literatura tabernaria galega. Máis de quince horas escribindo en claro desafío warholiano. O resultado será dado ao prelo nos próximos días e publicado en poucas semanas. Segue a performance ao vivo

O Abraço de Ferro – Lançamento em Galiza

Capa de Pancho Lapeña

Esta Quinta Feira, também dita Xoves, dia 15 de Dezembro, lançamento de “Abraço de Ferro” às 22:30h no Café Bar Trece, em Santa Clara, Santiago de Compostela, com intervenção do próprio autor e convidados de honra. “Abraço de Ferro” é uma peça de teatro escrita e encenada em 2002 por Carlos Santiago para a companhia de teatro portuguesa Trigo Limpo, publicado agora por Através Editora, da Associação Galega da Língua (AGAL). O passado dia 10 de Dezembro foi apresentado no XVII FINTA, Festival Internacional de Teatro de Tondela, Portugal, no mesmo espaço onde teve lugar a estreia em Maio de 2002, com interpretação dos actores José Rosa Neves e Ruy Malheiro. O espectáculo foi apresentado também em 2002 no Festival Internacional de Teatro D’Agosto de Maputo, Moçambique.

O livro conta com prefácio de João Luis Oliva, investigador e escritor viseense, e de Pompeu José, membro do Trigo Limpo-Teatro Acert. No lançamento em Tondela contou-se com a introdução de João Maria André, filósofo na Universidade de Coimbra e dramaturgo da Cooperativa Bonifrates, quem fez uma breve dissertação sobre o texto que aqui reproduzimos.

“Abraço de Ferro” é um diálogo entre dois actores que transita entre a realidade e o surrealismo ao mesmo tempo que vira do humor ao drama.

Em palavras de João Maria André “Abraço de Ferro é um jogo em que ao mesmo tempo que joga o autor, jogam também as personagens e jogam igualmente os intérpretes ou as interpretações. Ou, dito de outra maneira que talvez corresponda melhor ao desafio de leitura que nos lança, é um jogo em que autor, personagens, actores e leitores são permanentemente jogados numa espiral sem princípio nem fim, sem centro nem periferia, sem leito e sem margens”.

O autor Carlos Santiago é um dos criadores galegos mais assentados nas relações com Portugal, dramaturgo, escritor e artista vinculado à geração de activistas culturais que surdiram em torno da Sala Nasa em Compostela, desenvolve a sua actividade em diversos campos, desde a crítica da cultura até a criação artística e literária em diferentes linguagens.

A Leira Magnética no Atlántico

En cartaz

Despois da estrea no Dado Dadá, con completa satisfacción do autor pola electricidade cómplice do público, volve A Leira Magnética aos palcos nocturnos, desta volta nun dos locais clásicos do electromagnetismo oral e narrativo, o Pub Atlántico, sito na ilustre Fonte de San Miguel, onde en tempos adoitaban tomar pousada bohemios de verbo áxil como Francisco Añón ou Curros Enríquez.

Dentro da programación dos “Contos do Atlántico”, na que xa expuseron argumentos varios monstros sagrados da nosa escena narrativa como Celso Sanmartín, José Campanari, Paula Carballeira ou Quico Cadaval, ou a narradora uruguaia Soledad Felloza, tócame a honra  coa miña conferencia sobre física cuántica e identidade electromagnética, na que tentarei someter unha vez máis a actualidade a unha entretida radiografía por ver de lle catar as pulgas.

Iso mesmo

A lingua, a crise, o caciquismo endémico ou o Ano Santo Xacobeo, serán algúns dos fenómenos electromagnéticos analizados nesta disertación científica que apenas pretende deitar algunha luz sobre os profundos misterios da Leira Magnética, esa confusa entidade que semella estar na base da nosa xenética cultural.

Alí vos espero por tanto, mañã martes día 20 de Abril, a partir das dez, que non é tarde se o ánimo é bo, con esta escolma de monólogos apostólicos, económicos e galaicos.

A Leira Magnética

En cartaz

Canto son dous máis dous na lingua de Rosalía? Intercederá o Espírito Santo na solución da crise económica? Que fan os bancos cos nosos cartos? Quen logrou que o Papa veña a Santiago no Ano Santo? Cal é o sentido pexorativo da palabra “gallego”? Por que ofenderse é unha estupidez aldeá, cantonal e provinciana? Hai vida intelixente do outro lado do Túnel de Guadarrama? Onde fica El Desván de Los Monjes? E La Coruña? Por que sabemos quen é Belén Esteban? É Ourense a vangarda política de Europa? Cantos millóns de peregrinos gañarán o xubileu? Volverán os Rolling Stones actuar no Monte do Gozo? Por que o Rei de España non se xubilou aos sesenta e sete anos para dar exemplo? Isto arranxámolo entre todos ou deixamos que o arranxen os que o foderon? É Fraga inmortal ou só o parece? Cantos fantasmas viven nas urbanizacións abandonadas? Que fan os conselleiros no cuarto de baño? Excretar ou Decretar? Que foi de Carmiña Burana? En que se parecen os galegos, os negros, os xitanos e as mulleres aos cataláns? Que problema temos coas escaleiras mecánicas? Foi o asasinato de Kennedy unha trama galaica? Quen goberna en Galiza, Fofó ou Lucifer? Que xornal galego é a voz da verdade revelada?

Iso mesmo

E sobre todo, que pensa o Apóstolo Santiago de todo isto?

Estes e outros enigmas tal vez atopen resposta este Venres 19 no Dado Dadá, da man de Carlos Santiago e o seu novo espectáculo de monólogos apostólicos, económicos e galaicos, A Leira Magnética. Para todos os públicos capaces de aturalo. Ás 22 horas.

Tempos de crise, tempos de riso

A vissão do Titom

A vissão risonha do Titom

Publicado en Novas da Galiza.- Dizia um grande mestre que a cultura é o desporto da classe meia. O tal mestre era o Alberto Pimenta. Bom, ainda é. É um poeta que sempre riu da crise e ainda ri. Propriamente ele ri-se da crise, com licença reflexível, porque a crise dá para rir a pouco que se pense. A crise estoura o riso porque não é crise. Propriamente a crise, no canto de crise, é um riso. O riso que é a crise é aliás um riso crítico, porque o ser crítico é o próprio da crise embora ser rico não seja o próprio do riso. O ser próprio do riso é o ser risonho, um sonho daqueles que sempre acabam ás gargalhadas. Sonhar com ser rico também pode fazer com que o riso estoure e mesmo ser sonho de acabar ás gargalhadas, como por outro lado é frequente em tempos de crise.

Mas falávamos da cultura e não da crise. Vamos a isso, que é outro tipo de riso. A cultura, em geral, é uma entidade que estoura ou não estoura o riso em função da função e do funcionário. Há funções que querem estourar o riso e não o estouram e funções que sem quererem estoura-lo também o estouram. No entanto, a cultura não costuma ser uma entidade previsível e por isso os funcionários dão-se mal com ela. Eles, os funcionários, não têm maneira de saberem à partida se a função irá estourar ou não estourar todo o riso preciso para o correcto funcionamento das coisas. A maneira dos funcionários encararem a sua função pode ser motivo de riso, é certo, mas não se lhes pode fazer conta. A função da que são responsáveis não é a mesma função que faz com que sejam funcionários. Há bons funcionários que assistem ás funções e rim muito e maus funcionários que não dão por isso e cumprem a sua função sem um mau sorriso. Seja como for, os funcionários podem rir da crise porque têm a sua função assegurada e isso, podendo estourar o riso, nem é bom nem é mau em si próprio. Em si próprio isso só dá para um sorriso.

A classe media gosta de desporto. É a sua cultura. Também gosta de televisores e secadores do cabelo. As coisas das que gosta a classe meia são infindáveis. Para conseguir todas as coisas infindas de que gosta, a classe meia gosta também de hipotecas. A hipoteca, propriamente, é a coisa de que a classe meia mais gosta, porque a pode trocar por qualquer outra coisa da que goste, carros, casas, umas férias no Mar Egeu ou um televisor positrónico para ver Olimpíadas e Eurocopas. É a sua cultura, o seu desporto. Por esta razão, os funcionários que se ocupam da cultura ocupam-se com frequência também do desporto. No que diz respeito da cultura e do desporto, os funcionários querem sempre ter a coisa sob controlo. Sabem que a classe meia está a olhar do sofá e que pode desatar ás gargalhadas em qualquer um momento, em função de como eles, os funcionários, cumpram a sua função. Mas a cultura, sendo o desporto que ela é, é uma entidade imprevisível, já foi dito, e nem sempre os funcionários conseguem manter o comando da coisa. Quando há crise as hipotecas encarecem e isso é coisa de que a classe meia não gosta mesmo nada. Por isso não há crise, porque a crise faz estourar o riso o qual é completamente contraditório com a carestia das hipotecas, que não faz estourar riso nenhum. A crise é dos ricos, que também rim muito. Rim tanto da crise que executam as hipotecas para que a crise a paguem outros e eles possam curtir a prazer com toda a risada da crise. Se calhar já não há luta de classes, há só a luta dos risos e isso é o crítico, viver neste estado das coisas no que tudo está para estourar.