O espectro da insubmissão fiscal

denplironoPublicado en FerramentaZine en Maio de 2012.- De entre as mais conhecidas fotografias do incêndio social ateniense, sobressai uma curiosa imagem: a de políticos de esquerda e sindicalistas dando palmadas nas costas dos activistas de Den Plirono (”Eu não pago”), movimento nascido contra o pagamento de portagens na auto-estrada de Afidnes, a norte de Atenas, decretado pelo governo para antecipar às construtoras o dinheiro de futuros empreendimentos. Os activistas rejeitam o abraço envenenado de quem consideram fazer parte do mesmo sistema impositor, que eles cifram como impostor, sem aceitar nuances semânticas. Alentado pela crise e a grave deterioração moral da sociedade grega, o movimento atingiu, desde 2009, proporções impensáveis, e, atrás da recusa a pagar as portagens, seguiram-se acções contra as taxas nos transportes públicos e na assistência sanitária, contra o IVA, ou contra o imposto sobre as propriedades imobiliárias colectado a través da factura eléctrica. Entretanto, líderes mediáticos da direita confrontam a mal sucedida fotografia dos seus parceiros na banda esquerda do arco parlamentar com uma defesa fechada do sistema tributário e a necessária sustentabilidade do estado, numa paradoxal troca de princípios entre neo-liberais e social-democratas, todos eles comprometidos no processo que levou à ruína da república. Seguir lendo

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Tempos de crise, tempos de riso

A vissão do Titom

A vissão risonha do Titom

Publicado en Novas da Galiza.- Dizia um grande mestre que a cultura é o desporto da classe meia. O tal mestre era o Alberto Pimenta. Bom, ainda é. É um poeta que sempre riu da crise e ainda ri. Propriamente ele ri-se da crise, com licença reflexível, porque a crise dá para rir a pouco que se pense. A crise estoura o riso porque não é crise. Propriamente a crise, no canto de crise, é um riso. O riso que é a crise é aliás um riso crítico, porque o ser crítico é o próprio da crise embora ser rico não seja o próprio do riso. O ser próprio do riso é o ser risonho, um sonho daqueles que sempre acabam ás gargalhadas. Sonhar com ser rico também pode fazer com que o riso estoure e mesmo ser sonho de acabar ás gargalhadas, como por outro lado é frequente em tempos de crise.

Mas falávamos da cultura e não da crise. Vamos a isso, que é outro tipo de riso. A cultura, em geral, é uma entidade que estoura ou não estoura o riso em função da função e do funcionário. Há funções que querem estourar o riso e não o estouram e funções que sem quererem estoura-lo também o estouram. No entanto, a cultura não costuma ser uma entidade previsível e por isso os funcionários dão-se mal com ela. Eles, os funcionários, não têm maneira de saberem à partida se a função irá estourar ou não estourar todo o riso preciso para o correcto funcionamento das coisas. A maneira dos funcionários encararem a sua função pode ser motivo de riso, é certo, mas não se lhes pode fazer conta. A função da que são responsáveis não é a mesma função que faz com que sejam funcionários. Há bons funcionários que assistem ás funções e rim muito e maus funcionários que não dão por isso e cumprem a sua função sem um mau sorriso. Seja como for, os funcionários podem rir da crise porque têm a sua função assegurada e isso, podendo estourar o riso, nem é bom nem é mau em si próprio. Em si próprio isso só dá para um sorriso.

A classe media gosta de desporto. É a sua cultura. Também gosta de televisores e secadores do cabelo. As coisas das que gosta a classe meia são infindáveis. Para conseguir todas as coisas infindas de que gosta, a classe meia gosta também de hipotecas. A hipoteca, propriamente, é a coisa de que a classe meia mais gosta, porque a pode trocar por qualquer outra coisa da que goste, carros, casas, umas férias no Mar Egeu ou um televisor positrónico para ver Olimpíadas e Eurocopas. É a sua cultura, o seu desporto. Por esta razão, os funcionários que se ocupam da cultura ocupam-se com frequência também do desporto. No que diz respeito da cultura e do desporto, os funcionários querem sempre ter a coisa sob controlo. Sabem que a classe meia está a olhar do sofá e que pode desatar ás gargalhadas em qualquer um momento, em função de como eles, os funcionários, cumpram a sua função. Mas a cultura, sendo o desporto que ela é, é uma entidade imprevisível, já foi dito, e nem sempre os funcionários conseguem manter o comando da coisa. Quando há crise as hipotecas encarecem e isso é coisa de que a classe meia não gosta mesmo nada. Por isso não há crise, porque a crise faz estourar o riso o qual é completamente contraditório com a carestia das hipotecas, que não faz estourar riso nenhum. A crise é dos ricos, que também rim muito. Rim tanto da crise que executam as hipotecas para que a crise a paguem outros e eles possam curtir a prazer com toda a risada da crise. Se calhar já não há luta de classes, há só a luta dos risos e isso é o crítico, viver neste estado das coisas no que tudo está para estourar.

Demo de eleccións

Alberto Mefis Tófeles

Alberto Mefis Tófeles

Ándovos a ler, nestes días de reflexións e recomposicións políticas, a historia do Demo de Vicente Risco. Pareceume unha lectura acaída despois das diabólicas eleccións que decidiron o regreso ao goberno da Xunta do Partido de Dios, la Patria y la Sagrada Hipoteca. No seu tratado, Risco, que anticipou no tempo, aínda que non na sona, o diagnóstico spengleriano da decadencia de Occidente, atribúe con pulcra erudición a Satán a erección da segunda Torre de Babel: a civilización moderna, “intención secreta -afirma o de Ourense- de todas as herexías, de todas as apostasías, de todas as rebeldías”.

Eran cousas que Don Vicente dicía en 1947, pouco despois de arrenegar do Demo galeguista e republicán,  cando o franquismo podía aparecer, a ollos daquel católico excéntrico, como a tentativa arcanxélica e flamíxera de repor a orde natural do universo e o imperio do Sumo Facedor. Risco, na súa biografía do Demo, dá por sentado que a verdade absoluta existe e ten por asento principal fortificado a Cátedra de San Pedro, e que todo o traballo de deconstrución das grandes verdades da metafísica encetado pola Ilustración europea obedeceu en último termo aos diabólicos manexos de Lucifer. Non deixa de ser irónico que o primeiro teórico do nacionalismo galego envorque dese xeito a Deusa Razón nas caldeiras fumegantes do inferno. Para o noso etnógrafo máis fantástico e atrevido, hai moito tempo que Satán, pai das Mentiras e máis do Esquecemento, deixou as encrucilladas medievais polo laboratorio e a planificación técnica da corrupción das almas. El é, en definitiva, o gran beneficiario do Progreso, o seu soberbio fautor. Pois no “afán de superar todo o recibido” do que os contemporáneos nos gabamos con pecaminoso orgullo, atopa Satán a máis grande ocasión que viron os tempos para someter o mundo ao seu antollo.

Nada que obxectar. Inclusive desde o ateísmo, que eu profeso con luciferina teimosía, é posíbel aceptar este diagnóstico pesimista sobre a cultura e a civilización que nos acubillan. Despois de todo, Don Vicente só tratou de acrisolar a Nietzsche co Catolicismo, como George Bataille, poeta e prosador sublime da obscenidade, tratou de conciliar ao notario da morte de Deus con Sigmund Freud e Karl Marx na súa pecadenta Summa Ateologica. A tradición pesimista europea, como a pornografía, non é patrimonio dos conservadores. Hoxe por hoxe, até comeza ser especificamente de esquerdas, a tal punto a Dereita satanizada conseguiu apropiarse do optimismo progresista, alén de lle asaltar o panteón e roubarlle deusas tan pouco católicas como a Liberdade, a Razón ou a Democracia. Coitado de Don Vicente de ver esta Dereita que padecemos entregada ao existencialismo do estar no mundo e o ser para a morte. “A Dereita son eu”, blasfema Satán cunha gargallada estrepitosa. Pena que teño de tantas beatas e tantos vellos patriarcas e tantos novos emprendedores que acreditan sinceramente na existencia de Deus e no Sumo Pontífice que os ha liberar algún día da crise económica e a decadencia moral. Eles polo menos non son intelectuais e nin sequera sospeitan as posibilidades políticas do cinismo. A penas as do resentimento.

Pois o que Don Vicente non previu, obcecado en esaxerar a face esquerdista, liberal ou xacobina do Príncipe do Mal, sen dúbida verídica, foi a entrega absoluta das forzas do Ben á pura consecución do Mal por medios escrupulosamente legais, racionais e democráticos. Exactamente o mesmo do que non souberon precaverse os antigos socios de goberno que marchan agora co rabo entre as pernas para asombro de toda a corte infernal. Afeitos a pensar que os demoníacos eran eles, non viron que o Demo mudaba de bando e se mascaraba tras o partido de Dios, la Patria y la Sagrada Hipoteca para facer medrar a Torre de Babel a menos de cincocentos metros da costa. Contaban, seica, co apoio incondicional do tradicional electorado satánico sen saber unha palabra de como furrulan as cousas no inferno e que se hai algunha fraqueza que o Demo non perdoa é a beatería nas súas propias filas. Ben sabido é que Lucifer non se anda con hostias. O último cartaz electoral de Núñez Feijoo, que veu remudar a inicial e incomprensíbel imaxe “Citizen Cane” do candidato na moito máis sedutora e arteira figura de Mefistófeles, falaba ás claras de onde se ía situar o Demo desta volta.

Esta é a conclusión que eu tiro en limpo, a miña análise electoral, que lle chaman agora por aí: hai que volver ler a Vicente Risco e perdoarlle as imprevisións, que xa o dixo Manuel Outeiriño no seu día e ninguén lle fixo caso. “Temos aínda por diante rescribir posmetafísicamente a teoría do nacionalismo galego, procurar o significado posmetafísico da saudade, tentar comprender con ecuanimidade o esforzo político de Vicente Risco.” Ou dito de xeito blasfemo… Amiguiños, hai que volver ser satánicos, que de católicos vainos de puta pena!

Grenlandia Ceibe, Poder Popular!

A nación inuit está de festa. Hai uns días os groenlandeses lograron o recoñecemento do dereito de autodeterminación para Grenlandia, a illa máis grande do mundo cunha poboación que a penas supera a de Vilagarcía de Arousa. Malia ser o país co índice de delincuencia máis alto do planeta, os groenlandeses, de maioría esquimó, conseguiron ver recoñecida a súa identidade nacional sen violencia nin conflito social. O xeito escandinavo é o que che ten, esa racionalidade polar de tratar as cuestións máis espiñentas. Un exemplo para Galiza? Abofé que si, mais velaí que non. Moitas semellanzas nos achegan, pero máis son as diferenzas que nos afastan.

É no plano metafísico, digamos de primeiras, onde abondan os parecidos. Os groenlandeses, poñamos por caso, miden as distancias en sinik, sonos ou soños. Hai viaxes que non pasan dunha soneca e outras que son un verdadeiro prodixio onírico. Non é difícil ver niso certa similitude co xeito galego de comprender o espazo e o tempo, tan dado a contos inverosímiles e relativizacións sen fin. Lembro unha vez, camiño do Ancoradoiro, que lle preguntei a un paisano,

– Canto queda para o Ancoradoiro?
– En coche ou a pe? -retrucoume el-.
– A pe, a pe
– Ai, pois a pe aínda che quedan cinco quilómetros
– E en coche?
– En coche poste alí en dous quilómetros, non chegará

O cal quere dicir que aquí cada quen entende de pesos e medidas como lle peta e como concibe a cousa na súa cabeza. A nación inuit, como habitante contumaz do ártico, distingue máis de corenta variedades de cor branca, o que mutatis mutandi, branco por verde, é tamén especie propia do noso sentido perceptivo. Aos groenlandeses deulles o nome un vikingo de cabelo roxo, Erik o Rubio, un asasino procedente de Islandia que non se cortou un pelo en chamarlle Terra Verde a aquela illa xeada de brancos glaciares, por aquela de atraer o turismo colonial con publicidade enganosa e montar o seu propio chiringuito a pe de praia. A nós o nome déunolo un romano, Décimo Bruto, pero a publicidade fraudulenta xa formaba parte da cultura local cando chegou, e por iso tivo que cruzar o Limia e recitar de cor o nome de todos os lexionarios, para acabar co mito de Oblivion, o río do esquecemento. Defendérmonos con mitos destes en vez de nos defender coas armas é tamén tradición antiquísima entre nós, coma ben observou Castelao no seu día, e aínda que a semellanza coa cultura inuit neste aspecto se cadra ven traída polos pelos, o certo é que entre a metafísica inuit e a metafísica galaica hai ligazóns subterráneas que ningún antropólogo será quen de negar. É noutros eidos onde realmente as diferenzas culturais semellan insalvábeis.

No expediente lingüístico, para comezar por tema tan candente, os groenlandeses acaban de optar polo monolingüismo, é dicir pola oficialidade única da súa lingua. A lingua danesa non atopou a Grenlandia Bilingüe que a defendese da imposición do groenlandés como lingua propia dos esquimós, e a ningún natural do país se lle ocorrería pensar na vida que a súa lingua está moi ben para falar da caza da morsa no iglú, pero que unha vez que traspós a fronteira e ingresas nunha realidade máis universal, como acontece aquí en Galiza cando cruzas o Telón de Grelos e penetras en Zamora, o groenlandés non serve para nada. En Grenlandia como aquí, hai dúas maneiras de chamarlle ao país, pero non andan á lea por causa diso, e agora o máis probábel é que eu mesmo teña que mudarlle o nome ao meu blog e pasar a chamalo Kalaallit Nunaat.

O groenlandés tampouco está ameazado por un problema ortográfico tan agudo coma o que gravita por estes lares. Certo é que nesta cuestión os dilemas son semellantes, pois o inuktitut está emparentado co esquimó, falado no Canadá, e até se dá o caso dunha letra, a Kra, exclusiva do inuktitu, hai pouco reintegrada en Q, como na lingua irmá do norte canadiano. Trátase dun achegamento, coma en certos casos da nosa inconcorde normativa da concordia, pois os groenlandeses, habitantes dunha illa que só linda coa aurora boreal, son aínda isolacionistas e no canto da ortografía esquimó, empregan a escrita latina. Mira ti o que son as cousas. En calquera caso, os inuit son xente pouco dada a levarse mal por culpa das grallas ortográficas, preferindo o alcohol ou a propiedade da neve coma fontes de conflito máis naturais. Con certeza os groenlandeses nunca precisaron de normalizacións de tipo ningún. Eles de sempre foron esquimós e iso parécelles o máis normal do mundo.

Xa no plano político é onde se evidencia de xeito meridiano o abismo que nos separa. Mentres aquí aínda andamos na teima esa de se somos unha nación a secas, a nación de Breogán ou unha rexión de alta transcendencia histórica cun forte sentimento nacional, manda carallo na Habana, véndonos incapaces por iso de reformar o noso raquítico estatuto de autonomía, Grenlandia é estado libre asociado ao Reino de Dinamarca desde o 1979 e vén de lograr agora un novo marco legal que lle permite ir por libre cando lle pete. O máis curioso é que tanto os partidos secesionistas coma os partidos daneses, pese ao carácter consultivo do referendo, aceptaron de antemán o resultado da consulta, calquera que fose. Seríamos capaces de imaxinar nós tanta tolerancia e sentido democrático na nosa caste política? Non creo que nos dean os miolos para tanto, e iso que ultimamente os ollares dos nosos políticos andan a cobrar ese risco oblicuo tan propio dos ollares esquimós, coma quen non quere ver as cousas máis que de lado, non vaia ser que o impacto frontal e platónico da luz os deixe apirolados.

O certo é que estando Grenlandia á beira da independencia, o seu exemplo de pouco nos pode valer por terras ibéricas, onde o dereito de autodeterminación continúa a ser o gran tabú. Claro que a prensa, galega e española, xa nos explica de que vai a movida e por que os groenlandeses poden acceder ao tal dereito sen escándalo mentres vascos, galegos e cataláns debemos contentarnos con arrepañar catro euros nos orzamentos anuais do estado por conta da nosa idiosincrasia e non poñernos farrucos coas nosas disparatadas teimas históricas. Debaixo de Grenlandia hai depósitos inmensos de petróleo, así que o camiño da independencia, é de admirar, ten lóxica esmagadora inclusive para os radiopredicadores da Conferencia Episcopal. Pódese logo supor que se debaixo do territorio galego houbese ouro negro e non unha placa granítica inconmovíbel, a uns e outros pareceríalles completamente consecuente a nosa independencia. Afortunadamente o granito é granito e non hai argumento económico que nos asista. Se cadra son un chisco pesimista e non quero comprender o esforzo do bando nacionalista do goberno con iso dos parques eólicos. Quen sabe, tal vez na cabeza dos dirixentes nacionalistas latexe a idea de que o vento nos proporcione a nós o mesmo que o petróleo aos groenlandeses, o argumento económico capaz de calar a propios e estraños e darnos o dereito de ir por libre no concerto das nacións. O único problema é que o vento sopra por onde lle cadra e iso de medilo por ferrados non parece garantía ningunha no vieiro da autosuficiencia, única vía admisíbel cara á nós mesmos no capitalismo refundado que nos toca padecer. Parecer, parece máis unha maneira de catar a dirección da brisa e cumprir ben o papel de viraventos, tan necesario no negocio este da política, onde os soños non serven para medir as distancias e a independencia semella a penas o delirio de catro cazadores de morsas a quecer as mans na lareira dun iglú.

Pese a todo e contra todo… parabéns, Grenlandia!

A lingua extraordinaria (I)

A lingua, a casa do ser. Ese estar aí pese a todo. Ese problema. Esa política e esa fraude. Esa arena dos idiotismos en litixio. Ese animal proteico. Esa angustia. Esa gramática borrosa. Esa gralla ortográfica. Esa paixón. Ese negocio. Esa incomprensión, esa ignorancia, esa falla na placa tectónica da nación. Esa asimetría. Esa envexa dos outros, dos que non a saben, dos que non a entenden, non. Ese matraz. Ese experimento. Esa restauración. Esa viga mestra. Esa loita e esa resistencia. Esa escravitude. Esa tarefa. Esa, doa ou non doa, responsabilidade. Esa palabra.

Pero non. A lingua non. Nin así nin asó. Non presta. Non compre. Molesta. A lingua en todo caso é un capítulo no orzamento e xa lle chega. Un compromiso en todos os programas políticos. Xa chega, si. Chega de saudade.

Como ha de ser isto? Coma ten que ser. Ten que ser libre. Ten que ser eficaz. Ten que ser definitivo. Ten que ser poderoso. Ten que ser radical. Ten que ser novo, mais novo, novo. O que? O método, hostia. A metralleta, a ferramenta, o bolígrafo… a caneta se ques, que máis ten. Escribir mal, escribir ben, escribir torcido, escribir a duplo espazo. A cousa non está na ortografía. A cousa está na cultura. Non na cultura superior, nin na cultura tradicional, nin na cultura posmoderna. Na cultura que nos falta, esa que se aprende de oído, de ollo e máis de tacto, por non falar de narices e papilas. A cultura esa de sermos humanos na nosa plenitude psíquica. Non a cultura aconsellábel, nin a cultura oficial, nin sequera a tal cultura galega. A outra, a cultura innomeábel á que nin sequera lle acae ben o puto nome de cultura. Cultura ou Sepultura, eis o dilema.

Non home non. A lingua é cousa de non ser burros, simplemente. De botar man un pouco máis da lóxica matemática e un pouco menos da filoloxía, que xa abonda, xa tivo a súa vez, a quenda agora é doutros ollares. Do teorema de Gödel: ningunha teoría é capaz de demostrar todas as verdades dentro do seu sistema. Hai verdades que escapan, hai verdades que foxen, hai a luz coma onda e a luz coma corpúsculo e non por iso a luz se extingue así tan doado como se extingue a lingua. Que si, que a lingua se extingue. Nós propios, nós propias, estamos extinguíndonos, a pasar a outro estado, sublimándonos noutra cousa, e para moitos a lingua é fardo pesado de máis para a viaxe. Por iso isto, o da lingua, é cousa de ser menos burro e máis mula, de carregar ben as faldriqueiras. Claro que a calquera asno lle gusta ir lixeiro. Mais no disco ríxido hai espazo libre para moito software lingüístico de dios e tampouco é cousa de armarse en españolito e querer ver todos os filmes dobrados, que xa dá pena. Hey guy, you know what i mean? Muito bem!

Apocalipse en Siberia

Días atrás, os científicos americanos celebraban a posta en andamento do acelerador de partículas europeo con agoiros apocalípticos. Corríase o risco, afirmaban, de que o invento provocase un furado negro en Suíza que absorvese de vez todo o planeta. En xeral, os científicos americanos profesan a fe calvinista e desconfían da temeridade europea e a súa consecuente manía de andar a perseguir a deus por todos os recunchos do universo, esa rede inconmensurábel de recunchos. En calquera caso, que a fin do mundo vaia ter lugar en Suíza é con certeza unha premonición arrepiante.

No rexurdir da guerra fría é agora a quenda dos científicos rusos. Veñen de descubrir estes un fenómeno inquietante no Mar Siberiano. Centos de chemineas entre os icebergs están a liberar na atmosfera toneladas de metano, o gas máis letal do globo terrestre. O gas procede dos fondos mariños do Ártico, onde se foi acumulando durante millóns de anos en depósitos inmensos a penas contidos pola capa de xeo permanente do casquete polar. Polo visto, o metano ascende en forma de burbullas xigantescas coma nos vellos filmes de ciencia ficción.

Os científicos rusos son pesimistas, porque tanto metano pode acelerar o cambio climático e provocar unha liberación masiva dos depósitos en espiral viciosa e irrefreábel. Toda unha nova ameaza para a especie humana. Como calquera persoa sensata, os científicos rusos non pensan que a fin do mundo poda ter lugar en Suíza, como sosteñen os seus colegas americanos. Para eles a apocalipse xa está en marcha e ten orixe no Mar de Laptev, nas plataformas árticas de Siberia.

Os rusos e os americanos nunca está de acordo na cousa escatolóxica. Teñen maneiras diferentes de pensar sobre a fin do mundo e a extinción da especie humana. Os americanos, dicíase na época clásica da guerra fría, nunca foron quen de comprender os misterios da alma rusa coma os rusos tampouco son capaces de asumiren o american way of life sen consecuencias tráxicas.

Conta tamén certa lenda urbana que os americanos, cando era da carreira espacial, gastaron millóns de dólares en inventar un bolígrafo capaz de escribir en gravidade cero, mentres os cosmonautas soviéticos usaban o lapis de toda a vida para rexistrar cálculos orbitais e describir fenómenos insólitos do espazo exterior. Os americanos gañaron a guerra fría, aínda non saben hoxe como nin por que, pero na carreira espacial a vitoria foi dos rusos, cando aínda eran soviéticos e se resistían a experimentar o american way of life con todo o armamento dispoñíbel.

Persoalmente coido que o gas metano é un axente da apocalipse máis verosímil que calquera furado negro suízo. Tal pensamento tampouco deixa de arrepiarme, porque o certo é que entre o do metano e o da desintegración alpina da materia parece que nos quedan catro telexornais e iso, como pouco, mete medo. Como diría Alfonso Sastre, manda truco, que porcallada de planeta!

Vieiras tóxicas.

Publicado en Novas da Galiza.- Era suspeito, há tempos, que andávamos a ser intoxicados. Sintomas havia que o delatassem mas ninguém era quem de assinalar o meio maléfico de que a epidemia se servia para se espalhar entre nós. Afinal eram as vieiras.

As vieiras vinham da Ria de Ferrol, onde intoxicações de todo o tipo causam furor popular desde há anos. Conforme impressões policiais as vieiras ártabras provocam amnésia. Em resposta a tal temeridade, dúzias de intelectuais, artistas, poetas e advogados celebraram uma comida para demonstrarem publicamente que eles, após a jantarada, lembravam-se perfeitamente de tudo e que a vieira é um símbolo nacional que merece todos os respeitos. Os jornais, arteiros, publicaram em primeira plana fotos do acto no que os comendadores, presididos por um senhor de barba reverenda, defenderam o patriotismo de chefes e chefas e acusaram a imprensa, sinaladamente a cozinhada na Corunha, de ofender a honra da alta gastronomia galaica. Com efeito, as rotativas não tiveram piedade, e houve quem aproveitasse até para gabar o lavor da Guarda Civil e criticar a Junta pela sua insignificância, mesmo ao lado da publicidade institucional que em página contígua louvava as bondades de sermos potência eólica e acuícola num futuro mais mediático que imediato.

Bem se sente que o AVE vem a caminho, embora poucos saibam que se lhe perdeu a tal pássaro por estes lares. No AVE, é de temer, servirão vieiras aos passageiros enquanto gozam da paisagem de virandelos e piscifactorias. Nem os virandelos nem as piscifactorias intoxicam muito, diz o conselheiro responsável de dizer essas coisas. O que o intoxica tudo são as vieiras que não passam pelo quirófano para lhes serem amputadas as vesículas. A perda da memória vai-se agravando nas elites, mas lá está em Madrid Don Manuel, quem também papou muita vieira desta, para lhe lembrar a próprios e estranhos que amnésia e amnistia são palavras de comum origem e que a liberdade só pode ser o prémio por esquecermos tudo e mais alguma coisa.

Entre jantares e etimologias, outro gaseiro entra discreto na Ría de Ferrol. A planta de Reganosa também não é tóxica. As plantas são verdes e não poluem, diz o conselheiro, apenas têm função clorofílica. A culpa de tudo, há que insistir, é dos bivalves de toda caste que nos intoxicam e nos confundem, porque afinal o problema da vieira depende muito de quem a cozinhe e sendo assim não há quem se fie da ementa. Pobres de nós, que não passamos do rodovalho antibiótico.