Tempos de crise, tempos de riso

A vissão do Titom

A vissão risonha do Titom

Publicado en Novas da Galiza.- Dizia um grande mestre que a cultura é o desporto da classe meia. O tal mestre era o Alberto Pimenta. Bom, ainda é. É um poeta que sempre riu da crise e ainda ri. Propriamente ele ri-se da crise, com licença reflexível, porque a crise dá para rir a pouco que se pense. A crise estoura o riso porque não é crise. Propriamente a crise, no canto de crise, é um riso. O riso que é a crise é aliás um riso crítico, porque o ser crítico é o próprio da crise embora ser rico não seja o próprio do riso. O ser próprio do riso é o ser risonho, um sonho daqueles que sempre acabam ás gargalhadas. Sonhar com ser rico também pode fazer com que o riso estoure e mesmo ser sonho de acabar ás gargalhadas, como por outro lado é frequente em tempos de crise.

Mas falávamos da cultura e não da crise. Vamos a isso, que é outro tipo de riso. A cultura, em geral, é uma entidade que estoura ou não estoura o riso em função da função e do funcionário. Há funções que querem estourar o riso e não o estouram e funções que sem quererem estoura-lo também o estouram. No entanto, a cultura não costuma ser uma entidade previsível e por isso os funcionários dão-se mal com ela. Eles, os funcionários, não têm maneira de saberem à partida se a função irá estourar ou não estourar todo o riso preciso para o correcto funcionamento das coisas. A maneira dos funcionários encararem a sua função pode ser motivo de riso, é certo, mas não se lhes pode fazer conta. A função da que são responsáveis não é a mesma função que faz com que sejam funcionários. Há bons funcionários que assistem ás funções e rim muito e maus funcionários que não dão por isso e cumprem a sua função sem um mau sorriso. Seja como for, os funcionários podem rir da crise porque têm a sua função assegurada e isso, podendo estourar o riso, nem é bom nem é mau em si próprio. Em si próprio isso só dá para um sorriso.

A classe media gosta de desporto. É a sua cultura. Também gosta de televisores e secadores do cabelo. As coisas das que gosta a classe meia são infindáveis. Para conseguir todas as coisas infindas de que gosta, a classe meia gosta também de hipotecas. A hipoteca, propriamente, é a coisa de que a classe meia mais gosta, porque a pode trocar por qualquer outra coisa da que goste, carros, casas, umas férias no Mar Egeu ou um televisor positrónico para ver Olimpíadas e Eurocopas. É a sua cultura, o seu desporto. Por esta razão, os funcionários que se ocupam da cultura ocupam-se com frequência também do desporto. No que diz respeito da cultura e do desporto, os funcionários querem sempre ter a coisa sob controlo. Sabem que a classe meia está a olhar do sofá e que pode desatar ás gargalhadas em qualquer um momento, em função de como eles, os funcionários, cumpram a sua função. Mas a cultura, sendo o desporto que ela é, é uma entidade imprevisível, já foi dito, e nem sempre os funcionários conseguem manter o comando da coisa. Quando há crise as hipotecas encarecem e isso é coisa de que a classe meia não gosta mesmo nada. Por isso não há crise, porque a crise faz estourar o riso o qual é completamente contraditório com a carestia das hipotecas, que não faz estourar riso nenhum. A crise é dos ricos, que também rim muito. Rim tanto da crise que executam as hipotecas para que a crise a paguem outros e eles possam curtir a prazer com toda a risada da crise. Se calhar já não há luta de classes, há só a luta dos risos e isso é o crítico, viver neste estado das coisas no que tudo está para estourar.

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Cita en Finlandia

Ai Finlandia, o teu mar!

Ai Finlandia, o teu mar!

Váiseme cumprir un soño a vindeira semana coa estrea de Finlandia, un proxecto no que levo anos a cismar e que grazas ao Teatro Biodegradábel de Ohio, compañía teatral ilegal e imaxinaria, é xa unha realidade, con todas as prevencións que a tal palabra require. Vaia por diante o meu agradecemento e admiración a toda a xente que se apuntou a participar na aventura e que deu digno formato colectivo aos meus delirios escandinavos.

Dado o seu carácter biodegradábel, a peza será representada en dúas funcións únicas que terán lugar na Sala Nasa os días 19 e 20 de Maio, ficando o futuro aberto a calquera reincidencia non prevista. Finlandia é un cruzamento entre o teatro do absurdo e o simbolismo popular, e se cadra tamén un xeito de esclarecer os solpores xeados da nosa identidade, sexa iso o que for, que tampouco é cousa tan clara como a neve. En calquera caso, unha alegoría sobre Galiza e os desafíos que culturas indíxenas como a nosa deben afrontar na época global, ameazadas pola extinción e o sometemento a un mundo monolítico onde calquera diferenza é interpretada como potencial ameaza terrorista. Ben saben isto na Sala Nasa, ameazada nos últimos tempos por patéticos furacáns reaccionarios procedentes da estepa rusa.

Finlandia é un experimento de teatro civil producido e interpretado por un grupo de cidadáns, de variábel experiencia no palco, no que se quere reivindicar o teatro como ferramenta expresiva de toda a sociedade. Dúas mestras, dous xornalistas, un historiador, tres restauradores, un taberneiro, unha estudante, un actor, unha bibliotecaria, un deseñador gráfico, un técnico de luz, un educador social, un fotógrafo, varios pescadores, un escritor, e outras persoas de variados oficios, coa colaboración desinteresada de distintos colectivos, participan desta aventura inconformista e escandinava onde o único imposíbel é que a neve deixe de ser branca e comece a cheirar a chocolate.

O aforo é limitado mais as entradas xa se poden reservar a través da billeteira virtual da Nasa. Será unha honra partillar este soño convosco, así que alí agardamos por quen queira acompañarnos nesta fermosa aventura.